Agora, mais do que nunca, ficou provado que bons hábitos de higiene salvam vidas. Estamos numa fase em que a prioridade de todos é parar a propagação da COVID-19 e a lavagem das mãos, associada a outras práticas de higiene, é uma das medidas de primeira linha para travar esta pandemia.

Nos últimos 25 anos, tivemos enormes progressos nos nossos esforços de levar água limpa e boa higiene às populações mais carenciadas de Moçambique e estas intervenções serão certamente um bastião contra a propagação da COVID-19.

A WaterAid Moçambique tem vindo a trabalhar em estreita colaboração com o Governo de Moçambique, através do Ministério da Saúde (MISAU) e do WASH cluster a níveis nacional, provincial e distrital para contribuir para o desenvolvimento de mensagens sobre boas práticas de higiene tendo como foco a prevenção da COVID-19.

A nossa resposta a esta pandemia centra-se no que sabemos fazer: Água, Saneamento e Higiene. E neste momento crucial, as mensagens sobre a lavagem das mãos e outras práticas de higiene são fundamentais. Por isso, estamos a utilizar todos os meios de comunicação à nossa disposição, nomeadamente os meios digitais (medias sociais), os meios tradicionais (jornais, rádios, incluindo rádios comunitárias, estações de TV, Outdoors e carro móvel) para espalhar mensagens sobre boas práticas de higiene, com foco para a lavagem das mãos. O objectivo desta acção é ver os cidadãos cada vez mais conscientes da necessidade de praticar comportamentos higiénicos essenciais para evitar a propagação da Covid-19.

Igualmente, no âmbito da nossa intervenção programática, iremos apoiar o sector de saúde nas regiões onde estamos a actuar, nomeadamente, Maputo, Zambézia, Nampula e Niassa, alcançando sete distritos críticos, de forma a conter a propagação da Covid-19 em Moçambique.

De uma forma geral, estaremos focados nas seguintes actividades:

  • Instalação de estações de lavagem das mãos em estabelecimentos de saúde, áreas públicas densamente povoadas e em regiões rurais;
  • Protecção das pessoas mais vulneráveis, certificando-nos de que dispõem de bens essenciais como sabão, e desinfectantes;
  • Promoção melhores práticas de higiene através de campanhas de sensibilização para a saúde pública

As informações mais recente:

COVID-19 e acesso à água em Moçambique

Nos últimos 25 anos, tivemos enormes progressos nos nossos esforços de levar água limpa e boa higiene às populações mais carenciadas de Moçambique.

WaterAid

46%
da população em Moçambique não tem acesso à água

Por isso, muitos não podem lavar as mãos com frequência e da forma correcta, uma das recomendações de primeira linha para evitar a propagação da Covid-19.

WaterAid/ Helder Samo Gudo

Moçambique está entre os países de alto risco para a propagação do vírus

Moçambique faz fronteira com a República da África do Sul, País da África Austral com maior número de casos confirmados da Covid-19.

WaterAid/ Chileshe Chanda

46% da população em Moçambique não tem acesso à água e, por isso, sem condições de poder lavar as mãos com frequência e da forma correcta, uma das recomendações de primeira linha para evitar a propagação da Covid-19.

O acesso à água limpa e à boa higiene são essenciais na defesa contra a Covid-19 e outras doenças contagiosas e de origem hídrica, no entanto, milhões de pessoas em Moçambique não têm acesso a uma fonte de água segura perto de casa. O mesmo acontece a nível das escolas, dos centros de saúde e mercados e outros locais de grande aglomeração de pessoas.

Como se isto não bastasse, a crise climática está tornar o acesso à água limpa ainda mais difícil para a maioria da população moçambicana - as fontes de água secam; outras são afectadas pela intrusão salina, as inundações contaminam os recursos hídricos existentes. Isto, juntamente com os serviços de água já sobrecarregados, está a deixar um número considerável de pessoas vulneráveis aos riscos climáticos e de saúde.

Como a Covid-19 afecta Moçambique?

Moçambique está entre os países de alto risco para a propagação do vírus devido, sobretudo à sua localização geográfica. Moçambique faz fronteira com a República da África do Sul, País da África Austral com maior número de casos confirmados da Covid-19 e, apesar do lockdown decretado naquele País vizinho, a principal entrada fronteiriça encontra-se ainda aberta. Alguns factores de risco incluem:

  1. Fragilidade dos serviços de saúde
  2. Baixa capacidade do Governo em termos de recursos humanos e de equipamento para fazer face a emergências de saúde pública;
  3. Circulação de trabalhadores migrantes através das fronteiras;
  4. Acesso deficiente às instalações de água e saneamento e práticas de higiene agravado pela falta de equipamento de protecção adequado para os diferentes trabalhadores da linha da frente;
  5. Baixa renda das populações, o que torna difícil o cumprimento das orientações do Governo e da Organização Mundial da Saúde, nomeadamente, o distanciamento social, permanência em casa, entre outros.

WaterAid é pelo acesso universal e sustentável de serviços de ASH

A WaterAid reafirma que o acesso universal aos serviços de água, saneamento e higiene (ASH) sustentáveis é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar das pessoas e, por isso, está a pressionar o governo para que todas as pessoas, em todos os lados, tenham acesso à Água, Saneamento e Higiene até 2030, seguindo as orientações das Nações Unidas quanto aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s nº 6).

Lavar frequentemente as mãos, particularmente em momentos críticos (antes de preparar os alimentos; antes de comer; depois de ir à casa de banho; antes de tocar o nariz, boca ou rosto; depois de tocar em áreas frequentemente expostas à potencial contaminação é fundamental para evitar a propagação de doenças infecciosas, incluíndo a Covid-19. Mas quando as pessoas não têm, necessariamente, acesso à água corrente limpa o tempo todo, não podem seguir o conselho de lavagem frequente das mãos. E muitas vezes, estas pessoas não podem comprar sabão.

A WaterAid apela para um maior envolvimento de todos os actores do sector, incluíndo o sector privado, a quem apela que façam contribuições que podem ser canalizadas para garantir formas tangíveis de resolver a lacuna do acesso à água, tais como produtos de purificação para as comunidades que não têm acesso à água limpa, pontos de lavagem e higienizadores das mãos em locais públicos, comerciais e centros de saúde, entre outras iniciativas.

“Estes desafios de acesso à água podem ser geridos se houver uma acção colectiva urgente para construir sistemas resilientes de água, saneamento e higiene. Governos, doadores e o público têm um papel a desempenhar se o mundo quiser controlar e superar o Covid-19, prevenir a próxima pandemia e construir serviços sustentáveis e de resiliência que possam proporcionar saúde e dignidade para todos”, disse Adam Garley, Director Nacional da WaterAid Moçambique.